31 de julho de 2013

La buena vida

Hey!

Noites em claro podem render ótimas experiências, eu acabei conhecendo um filme incrível numa madrugada sem sono.


Será que o destino existe? Se sim, como ele pode influenciar, mesmo de modo corriqueiro, a vida das pessoas? É isso que acontece com os quatro personagens centrais dessa trama de Andrés Wood.

Teresa (Aline Küppenheim), Edmundo (Roberto Farías), Mario (Eduardo Paxeco) e Patricia (Paula Sotelo) vivem na cidade de Santiago, capital do Chile. Eles não se conhecem, mas suas vidas costumam se cruzar em momentos banais do dia-a-dia. Cada um dos quatro está correndo atrás de seus sonhos e ideais que, muitas vezes, parecem inalcançáveis.

O filme começa com Patrícia, uma jovem humilde em seu apartamento com o filho pequeno, ela cuida de algumas poucas plantas que possui, ao fundo a cidade de Santiago, barulhenta e cinza, contrastando com o verde das plantas. A imagem que vemos é triste, e a fotografia ajuda bastante a compor esse clima, com tons de cinza bem pálidos, quase apagados, a direção de arte também ajudou nessa composição, colocando pouquíssimos elementos no ambiente, e eles são todos de aparência antiga ou sujos, mais a diante no filme vemos que a personagem não tem um emprego fixo e possui uma doença que não nos é revelada.

Em outro ponto temos Mário, um músico que passou três anos estudando clarinete em Berlim e faz um teste para entrar na orquestra filarmônica, embora seja talentoso, Mário descobre depois que apenas talento não é o suficiente para atingir seu objetivo, e acaba entrando para o exército para poder ser músico na banda militar. O ambiente militar é completamente diferente do personagem, que mostra um ar despojado e sonhador, mas que adota uma posição séria devido ao seu cargo, ele é ingênuo e totalmente diferente de seus parceiros, que sempre visitam bares e casas de dança a procura de sexo e bebidas, esses lugares são marcados por poucas luzes mas bem coloridas, muito barulho e pessoas amontoadas.


Também conhecemos Teresa, uma sexóloga que trabalha num hospital ministrando palestras para prostitutas, por sua profissão imagina-se que ela seja uma mulher de cabeça aberta, mas uma coisa é você conversar sobre sexualidade e métodos contraceptivos, outra coisa é descobrir que sua filha de 15 anos está grávida, Teresa não lida bem com essa notícia, que é dada pelo ex-marido, já que sua relação com a filha Paula não é muito boa. Apesar de parecer uma mulher aberta e com roupas alegres, Teresa é uma mulher triste, que precisa aprender a lidar com problemas familiares que ficaram um pouco esquecidos depois de sua separação. Pouco é mostrado da vida de Teresa e Paula, mas a montagem da casa, muito organizada em quase todos os cômodos, mas uma bagunça no quarto da menina deixa um pouco a entender que enquanto Teresa tenta levar tudo de movo regrado e organizado, sua filha está com a cabeça e vida numa completa confusão e tenta se expressar em um caderno onde escreve um romance sobre a vida real, de nome "La buena vida".

E por último temos Edmundo, um cabeleireiro de 40 anos que mora com a mãe e parece bem infeliz com isso, ele busca uma pequena melhora quando vai até o banco fazer um empréstimo para comprar um carro, e acaba conhecendo uma moça, Esmeralda, e eles acabam se envolvendo, a vida de Edmundo parece ir bem, até que ele descobre que o pai, que morreu há vários anos, não era nada daquilo que ele pensava e que seu túmulo vai ser desfeito para que outros possam ocupar seu lugar, ele tenta então esconder da mãe que isso está acontecendo e tenta resolver sozinho, mas o custo para manter o corpo no cemitério é muito alto e coloca em risco a compra de seu carro, agora ele enfrenta um grande dilema, comprar seu carro ou dar um lugar digno para seu pai descansar? 

As quatro história acontecem separadas mas ao mesmo tempo se cruzam em vários momentos, como por exemplo um encontro entre Edmundo e Patrícia no metrô, ou entre Patrícia e Teresa, quando esta a ajuda em um conflito com algumas prostitutas, ou entre Edmundo e Mário, quando este perde o clarinete no ônibos na tentativa de ajudar uma mulher que foi roubada, mas de todos esses encontros casuais o mais bonito e emocionante é entre Patrícia e Mário, não é bem um encontro, ela está nas ruas trabalhando quando ouve o clarinete de Mário, Patrícia fica parada em frente ao prédio que ele mora apreciando a melodia que ecoa pelas janelas. 

O filme se desenrola desse modo, com cada um tentando lidar com seus problemas e alcançar seus sonhos e cruzando uns com os outros durante o filme, Teresa e a filha começam a ter um bom relacionamento, Mário recupera seu clarinete, Edmundo o devolve com uma mensagem de boa sorte, e Mário começa a se acostumar com o fato de ainda não ser a sua hora de entrar para a filarmônica, Edmundo continua com sua vida e opta por ajudar seu pai ao invés de comprar seu carro, já Patrícia é encontrada morta em frente ao prédio de Mário, este a encontra, possivelmente foi morta por sua doença, e o filho que era deixado em casa enquanto ela trabalhava acaba morrendo sem que ninguém soubesse de sua existência.


E é desse modo triste e realista que o filme termina, com cada um seguindo sua vida um dia de cada vez e com a lição de que devemos ultrapassar as barreiras para alcançar nossos objetivos. 

Nem preciso dizer o quanto recomendo esse filme, é surpreendente a sensibilidade do filme e a simplicidade das histórias que tocam fundo em nossos corações e nos fazem refletir sobre nossas próprias vidas.

Love, kisses & rockets
da Mandy

Fonte de nomes: Adoro Cinema

Trailer


Classificação:★★★★★

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