22 de julho de 2015

Primeira semana do Projeto Literário: A poesia do livro

Todos temos aquele livro que foi importante em alguma fase da nossa vida, que se tornou um livro com o qual você aprendeu algo, que te trouxe algo além da simples leitura e história, nos conte qual é esse livro e o que aprendeu com ele, ou em qual fase ele entrou e se tornou importante.

Hey!

Para quem se lembra eu fiz um post aqui no blog explicando minha participação no Projeto Literário, e depois que resolvemos tudo que seria necessário para realizá-lo era hora de botar a mão na massa, serão 10 semanas e cada uma delas com um tema, e a primeira semana o tema é A Poesia do Livro, ele foi criado pela Paac do blog My Little Garden Of Ideas , e hoje estou aqui para contar para vocês sobre esse livro que marcou minha vida.

O livro que escolhi foi As aventuras de Pi, eu li ele no ano passado e me encantei com a história, eu havia visto o trailer do filme e confesso que fiquei um pouco receosa para ver/ler, o nome não me atraiu nem um pouco, mas depois resolvi dar uma chance ao livro e não me arrependi.


Na história acompanhamos Pi Patel, um garoto indiano, filho do dono de um zoológico e que acredita na crença hindu, mas também na cristã e muçulmana... Por problemas financeiros eles são obrigados a vender o zoológico e seus animais e partem em um navio a caminho do Canadá e é nesse navio que a história de Pi muda completamente, após o naufrágio do navio em meio a uma tempestade, Pi se vê sem família, no meio do oceano com um tigre-de-bengala, uma zebra, uma hiena e uma orangotango fêmea. A partir desse momento sua vida passa por situações inimagináveis, de luta pela sobrevivência, a incerteza do futuro, a solidão e a saudade da família.

Eu adorei esse livro e ele me marcou não apenas por ser uma história bem construída com um personagem cativante, mas pela mensagem que ela passa, a luta pela sobrevivência e os limites que o ser humano pode chegar para se manter vivo, em todos os momentos as crenças e até a sanidade do personagem são colocadas a prova, e o livro todo eu me pegava imaginando como seria se algo assim acontecesse comigo, se eu tomaria certas decisões ou não e até mesmo se eu conseguiria chegar ao meu limite para sobreviver, é um livro bem marcante, e que faz o leitor refletir sobre fé, independente de sua religião, e sobre a perseverança, para continuar em frente e passar por todas as adversidades que são postas em nossos caminhos pela vida.

"E a história não acabou ai. Existem sempre aqueles que se acham na obrigação de defender Deus, como se a Realidade Última ou a estrutura de sustentação da existência fossem algo fraco e desamparado. Essa gente passa por uma viúva deformada pela lepra, mendigando umas poucas paisas; passa por crianças esmolambadas, morando na rua, e pensa: 'A vida é assim mesmo'. Se perceberem, porém, uma coisinha de nada contra Deus, tudo muda de figura. Ficam com o rosto vermelho, o peito inflado, esbravejam palavras furiosas. O seu grau de indignação é espantoso. A sua transformação, assustadora.
O que essas pessoas não entendem é que é só internamente que Deus precisa ser defendido, não externamente. Deviam dirigir a sua fúria contra si mesmas. Pois o mal exterior nada mais é que o mal interior que conseguiu escapar. O principal campo de batalha para o bem não está no espaço aberto da arena pública, mas na pequena clareira de cada coração. Nesse meio-tempo, aquele monte de viúvas e crianças sem-teto são um problema sério e é em sua defesa, e não na de Deus, que essa gente moralista devia correr.
Uma vez, um imbecil me expulsou da Grande Mesquita. Quando fui à igreja, o padre ficou me olhando com uma cara tão feia que não consegui sentir a paz de Cristo. Às vezes, um brâmane me enxotava do culto do templo hindu. A minha prática religiosa era relatada aos meus pais naquele tom premente e sussurrado da traição revelada.
Como se essas mesquinharias fizesse algum bem a Deus.
Para mim, religião é uma questão de dignidade, não de degradação.
Parei de ir à missa na igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição e passei a frequentar Nossa Senhora dos Anjos. Deixei de ficar circulando em meio aos meus confrades depois das preces da sexta-feira. Comecei a ir ao templo nas horas em que havia mais gente por lá, pois, assim, os brâmanes estariam distraídos demais para se intrometer entre mim e Deus." Cap. 25 pág 92 e 93

Love,kisses & rockets
Créditos das imagens
Edição e fotografia por Amanda Prado e Paac Rodrigues

6 comentários:

  1. eu assisti o filme e AMEI ele tem uma análise psicológica INCRÍVEL e não é atoa que você escolheu ele.

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    1. O filme e o livro estão na minha lista de favoritos da vida!!! ♥

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  2. Oi Amanda!
    Adorei a escolha! Até o momento só assisti ao filme e foi tão surpreendente que morro de vontade de ler o livro também.

    Beijos
    http://numrelicario.blogspot.com.br/

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    1. Oi Erika,
      Aposto que não vai se arrepender de ler o livro, é tão lindo quanto o filme!!!
      Beijos

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  3. Olá, tudo bom?
    Não sabia que As aventuras de Pi pudesse ser tão bom assim, até porque, o que de bom poderia acontecer em um livro inteiro que o personagem passa praticamente "sozinho"?
    Adorei a dica, e com certeza irei lê-lo. Aliás, amei o seu texto e como o livro te fez refletir. Beijão!
    http://www.entreleitores.com/

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    1. Oi Jéssica, tudo bem e você?
      É um livro ótimo, e o filme também é muito bom!!! Pois é, apesar de ser a maior parte do livro o personagem sozinho, acontecem tantas coisas que você acaba nem percebendo isso.
      Leia, você não vai se arrepender! Obrigada pelo carinho *-*
      Beijos

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