8 de agosto de 2015

Nu, de botas - Antonio Prata

Eu sou do tipo de pessoa que ama o passado. Adoro objetos que remetam  à outras décadas e também amo ouvir relatos e histórias sobre o passado de outras pessoas. A parte ruim disso tudo é que acabo ficando nostálgica, com aquele nó na garganta de saudades do meu próprio tempo. Vocês já repararam no olhar da sua avó quando ela te conta algo sobre sua própria infância? Ou no do seu avô, quando ele te conta, pela centésima vez, o quanto foi sábio e heróico em seu primeiro emprego?
Tem muita coisa ali, mas entre tudo que é palpável notar (orgulho, tristeza, felicidade) a saudade predomina. Talvez, você leitor, seja muito novo para sentir saudades do passado e não entenda isso, mas, cedo ou tarde, você irá sentir saudades do seu próprio passado, e buscará formas e mais formas de trazer à memória momentos que nunca mais se repetirão.
E foi nessa busca desesperada em “voltar ao passado”, que me deparei com a obra de nome peculiar do cronista Antonio Prata.  


Nu, de Botas




Ele nos conta as peripécias de sua infância, mas de uma forma bem inédita: compartilhando os pensamentos e atitudes da criança, e não do escritor, já adulto. Pode parecer estranho, mas esse fato torna o enredo bem mais divertido, já que podemos rir despretensiosamente da inocência e travessuras do Antonio e, ao mesmo tempo, da criança que já fomos um dia.


"Pra começo de conversa, você nem tem certeza de que todos fazem cocô ou se aquele é mais um defeito seu e de mais meia dúzia de infelizes, como um nariz que escorre, uma orelha de abano ou a estranha capacidade que seu pinto tem de, vez ou outra, no tanquinho de areia ou no colo da mãe de um amigo, ficar duro e comprido. Minhas irmãs eu sabia que faziam cocô. Meu pai, também. Mas o que dizer sobre minha mãe? Minha professora? O Super-Homem? O Bozo? Eles faziam cocô?" - pág 50


O livro é dividido em vários capítulos, mas não é uma história. São crônicas, por isso é possível abrí-lo em um capítulo qualquer e deixar a leitura fluir.
É uma leitura rápida (li em três horas) que te fará rir em voz alta, e você finalmente vai entender o motivo do título “Nu, de botas”.
Apesar da infância do Antonio ter sido em meados dos anos 80, é possível que o leitor, de qualquer idade, se conecte ao livro. E preciso ressaltar que nem todos os leitores tem essa coisa de "nostalgia" ao lerem. Comigo foi assim, com você pode ser apenas um "punhado" de crônicas que irão te arrancar sorrisos.

"... mas estávamos na primeira metade da década de 80: não se usava cinto de segurança nem protetor solar, pessoas não andavam por ai com garrafinhas d'água, como se fosse o elixir da vida eterna, fazíamos cinzeiros de argila para os pais nas aulas de artes e o colesterol era apenas uma vaga ameaça de gente paranoica, como a CIA ou a KBG..." - pág 91

Fiquei encantada pelo autor, e ultimamente estou viciada em suas crônicas. Ele escreve semanalmente, todos os domingos para ser exata, para a Folha de São Paulo, e podemos conferir seus textos virtualmente, na página Folha Uol.
Leitura mais que recomendada! 


ISBN: 9788535923513
Ano: 2013
Páginas: 140
Editora: Companhia das Letras
Nota: 4/5

Sobre o Autor:
Foto -Antônio Prata
Antonio Prata nasceu em São Paulo, em 1977. É filho do escritor Mário Prata, e tem tanta competência literária quanto o pai. Tem vários livros publicados, entre eles Meio Intelectual, Meio de Esquerda (crônicas) e Felizes quase sempre (infantil). Escreve roteiros para televisão e cinema, durante alguns anos escreveu crônicas para a Revista Capricho. Atualmente é colunista no jornal Folha de São Paulo.







Love, kisses & rockets

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Crédito das imagens:



4 comentários:

  1. Nossa, eu esperava algo totalmente diferente desse livro e amei saber que é tão fofinho! Além do que você disse, os trechos são ótimos e mostram o tom divertido que o autor imprimiu na obra. Adorei!

    http://maisumapaginalivros.blogspot.com.br/
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    1. Super divertido Michelly! Amei a leitura.
      Beeijos

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  2. Olá Bia,
    Pelo visto esse livro é extremamente nostálgico e gosto de livros assim.
    A premissa é diferente daquilo que eu imaginava, mas gostei bastante.
    Adorei a sua resenha e, com certeza, lerei um dia.
    Beijos
    Um Oceano de Histórias

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    1. Oi Bruna!!
      Eu fiquei muuuito nostálgica ao ler rs. Feliz por ter gostado da resenha!!
      Beeijos

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