23 de novembro de 2015

A casa do céu - Amanda Lindhout e Sara Corbett

Hey!

A resenha desse livro demorou mais do que o previsto para sair, e o motivo é que foi muito difícil conseguir me recuperar dessa leitura, com isso vou ter que correr com as próximas leituras se quiser terminar tudo esse mês, mas enfim, quando comprei esse livro não li sua sinopse então não fazia muita ideia do que se tratava, até eu sortear ele na TBR Jar e descobrir que era um livro de memórias, e ai a leitura desse livro passou de uma simples leitura para um grande aprendizado de vida.

"Uma das melhores coisas em que alguém pode acreditar sobre o mundo é que sempre, não importa como, há alguém que vale a pena querer ter ao seu lado." pág 55
O livro conta a história de Amanda Lindhout, de uma garota simples do interior do Canadá, à mochileira pelo mundo e finalmente a jornalista, visitando lugares dos mais lindos e exóticos até os mais caóticos e pobres, sua história começa com um sonho de criança em conhecer os lugares que antes ela apenas via através de fotos da revista National Geographic, até 15 meses de angustia em cativeiros pela Somália e outros países que seguem o regime islâmico e que vivem em constante guerrilha.
"É óbvio que você nunca vai conseguir olhar para o seu próprio futuro com clareza, ou para o futuro de qualquer outra pessoa. É impossível saber o que vai acontecer, até que a coisa aconteça. Ou talvez você perceba naquela fração de segundo que antecede o fato, quando consegue vislumbrar o seu próprio destino." pág 115
A narração é toda em primeira pessoa, então é como estar na cabeça de Amanda, desde o começo de suas viagens, quando tudo era simples e divertido, até os momentos de terror e demonstração de coragem em sua situação terrível de cativa. O livro é muito pesado, as autoras não poupam os detalhes na hora de narrar todas as coisas lindas e atrocidades vividas ao longo dos anos que a história ocorreu, conforme a leitura vai ficando mais densa com o passar das situações, o leitor vai se ligando cada vez mais à Amanda e sua história, é quase inevitável não sentir raiva em certas decisões tomadas, o sentimento de que você precisa alertar ela que aquilo não pode terminar bem, é como se eu visse um amigo relatando esses acontecimentos.


Em vários momentos me senti impotente e quase desisti da leitura, não por ser um livro ruim, mas por todas as coisas relatadas, torturas, fome, miséria, abusos, violência, toda a angustia que o livro passava, nada do que já tenha lido ou ouvido falar chega perto dos relatos nesse livro, o mais impressionante é que a leitura flui de uma forma incrível, você vivencia todo momento o sentimento de querer parar a leitura, mas simplesmente não pode abandoná-la ali, é um livro muito vívido, nunca tinha lido nada parecido. 
"Eu viveria e voltaria para casa. Não importava o que viesse a seguir ou as coisas pelas quais tivesse que passar. Eu conseguiria sobreviver. Acreditei nisso com uma certeza que não sentia desde o início." pág 412
Essa história é mesmo muito inspiradora, a coragem com a qual Amanda passa por todas as situações e ainda sim, consegue ser uma pessoa melhor e manter firme o desejo de ajudar aqueles que também sofrem com as guerras e lutas santas. Só posso chegar a conclusão que ela é realmente um ser iluminado por passar por todas essas provas de vida e ainda ser capaz de amar ao próximo, e lutar e fazer de tudo para ajudar esse povo que no fim é apenas um instrumento das circunstancias, de uma religião e costumes.  Não entro em muitos detalhes do que realmente ocorre com ela durante o cativeiro, apesar de serem coisas terríveis, são coisas que apenas quem lê o livro entende as decisões dela, sua posição em relação aos captores, apesar de todas as coisas, e também com Amanda, aprende que as pessoas são apenas vitimas das situações e que somos todos seres humanos no fim das contas.
"Uma única possibilidade surgiu entre todas as outras, e uma das mulheres a circulou com giz branco. Rajo foi o nome que escolhemos para a escola. É a palavra que, no idioma somaliano, significa esperança. E todos nós concordamos que a esperança é a melhor coisa do mundo." pág 439


"Jihad, em árabe, significa "a luta". Há dois tipos de jihad no islã, a maior e a menor. Ambas são consideradas nobres. A jihad maior é interna, a busca incessante que qualquer mulçumano para ser uma pessoa melhor, para afastar a tentação e os desejos terrenos, para manter a fé. A jihad menor é externa, comunal e violenta, quando necessário - a luta para defender e afirmar essa fé. Para os nossos captores, essa jihad envolvia combater os etíopes, embora o nosso sequestro estivesse incluído naquela causa. Não somente nós vinhamos de países "maus", como Ali dizia, mas qualquer dinheiro que recebessem pelo nosso resgate seria redirecionado para financiar a luta." pág 202

ISBN: 9788581633039
Ano: 2013
Páginas: 448
Editora: Novo Conceito
Nota: 5/5

Sobre as autoras
Amanda Lindhout é fundadora da Global Enrichment Foundation (Fundação para o Enriquecimento Global), uma organização sem fins lucrativos que apoia iniciativas para o desenvolvimento, ajuda humanitária e educação na Somália e no Quênia. Para mais informações, visite:
amandalindhout.com
globalenrichmentfoundation.com






Sara Corbett é colaboradora da The New York Times Magazine. Seus trabalhos também aparecem em publicações como National Geographic, Elle, Outside, O (The Oprah Magazine), Esquire e Mother Jones.










Love,kisses & rockets
Créditos das imagens
Fotografia e edição por Amanda Prado | Fontes por DaFont

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