16 de fevereiro de 2016

Dez coisas que aprendi sobre o amor, Sarah Butller.

Olá hoje é dia de resenha literária. "Dez coisas que aprendi sobre o amor" foi um dos lançamentos de outubro da Editora Novo Conceito. A leitura do livro foi um pouco difícil para mim, apesar de achar a história bem interessante. Vamos lá

Por quase 30 anos, quando a brisa de Londres torna-se mais quente, Daniel caminha pelas margens do Tâmisa e senta-se em um banco. Entre as mãos, tem uma folha de papel e um envelope em que escreve apenas um nome, sempre o mesmo. Ele lista também algumas coisas: os desejos e o que gostaria de falar para sua filha, que ele nunca conheceu. Alice tem 30 anos e sente-se mais feliz longe de casa, sob um céu estrelado, rodeada pela imensidão do horizonte, em vez de segura entre quatro paredes. Londres está cheia de memórias de sua mãe que se fora muito cedo, deixando-a com uma família que ela não parece fazer parte. Agora, Alice está de volta porque seu pai está morrendo. Ela só pode dar-lhe um último adeus. Alice e Daniel parecem não ter nada em comum, exceto o amor pelas estrelas, cores e mirtilos. Mas, acima de tudo, o hábito de fazer listas de dez coisas que os tornam tristes ou felizes. O amor está em todas as partes desta história. Suas consequências também. Sejam boas ou más. Até que ponto uma mentira pode ser melhor do que a verdade?
Para começar, devo dizer que a narração intercalada entre os dois personagens principais foi muito bem acertada. Conseguimos ver ambos os lados. Quando eu disse no começo que a leitura não fluiu foi porque eu não conseguia identificar qual a relação entre os dois e a leitura só fez sentido quando os mesmos fatos passaram a ser narrados pelas duas versões. Alice está de volta a sua casa depois de uma separação e viagens pelo mundo por um motivo nada legal: seu pai está morrendo. Já Daniel, aparenta ter sido de boa família mas vive entre abrigos, ele não quer mais uma vida rotineira a única coisa que o motiva é encontrar a sua filha.


Todos os personagens são bem construídos e o conhecemos bem ao longo da narração. Alice e Daniel lidam com seus próprios fantasmas e conflitos familiares, embora o dele saibamos apenas por suas lembranças. Alice sempre se sentiu deslocada e bastou o rompimento com o ex, Kal, para viajar por diversos lugares no mundo. Ela possui duas irmãs bem diferentes: Tilly e Cee, que sempre foram mais próximas do pai do que ela. Há ainda um mistério envolvendo a morte prematura da mãe delas, quando a protagonista tinha apenas 4 anos e aos poucos vamos ligando os fatos.
‘‘Sou um velho de coração meloso, não há outra maneira de descrever. E a verdade é que me sinto mais em casa aqui — à beira do rio, onde há lama e confusão — do que nos quarteirões chiques como o do Tube, com suas telas reluzentes e seus seguranças.”
 "Você não pode sentir saudade de alguém que nunca conheceu. Mas sinto saudade de você." - 
Já Daniel vive sozinho pelas ruas de Londres. A única pessoa que consegue conversar com ele e sua atenção é Anton, um polonês que busca emprego para voltar para sua filha. As divagações de Daniel são bem profundas e apesar das mãos calejadas, quando o pai de Alice morre e ele descobre onde encontrá-la, passa a fazer flores de dobradura e materiais reciclados para a jovem. A autora nos agradecimentos diz que o livro é uma carta de amor a Londres, e de fato, é. São muitos lugares detalhados, que fazem a imaginação ir longe.


A editora arrasou na capa, ela é linda e depois que você termina a leitura percebe que ela faz todo o sentido. A diagramação também está boa. Enfim, "Dez Coisas que aprendi sobre o amor" foi uma leitura que me surpreendeu, apesar de eu empurrá-la no início. Não espere por um final bem certinho, mas muitas divagações, afinal, é um livro para se pensar.

PS: Eu amei as listas de ambos os personagens, nos aproxima deles.

ISBN: 9788581637778
Ano: 2015
Páginas: 256
Editora: Novo Conceito

Créditos das imagens
Fotografia e edição por Juliana Rovere

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