28 de fevereiro de 2016

O Mulato - Aluísio de Azevedo

Faz tantos anos que li esse livro. Mais ou menos 12 anos. 
Se eu ainda lembro? Claro, afinal foi a leitura mais triste da minha vida. 
Convido vocês a conhecerem minha humilde opinião sobre um clássico muito recomendado nos vestibulares: O Mulato.

O Mulato


Clássicos sempre traz aquele sentimento de "obrigação" e é por isso que muitos leitores fogem desses livros. Claro que há doze anos atrás eu não escolheria esse livro para ler, fui obrigada, porém a leitura foi muito prazerosa. Um verdadeiro amante de livros dá chance antes de desistir.
Estamos acostumados a ver mocinhas sofridas, neste caso já temos uma mudança no cenário, pois o sofrido aqui é o mocinho.
Filho de uma escrava com um branco, Raimundo é mulato. Perdera pai e mãe muito jovem, e acabou ficando sobre a custódia de seu tio. 
Para estudar, Raimundo deixa o Brasil e parte para Lisboa. Lá, se forma em direito. Muito inteligente, sábio e bonito, Raimundo é tratado de igual para igual no exterior. Como viajou muito novo, é alheio aos preconceitos existentes em sua terra natal.
Passados muitos anos, Raimundo decide voltar para o Brasil. Após uma estadia no Rio, acaba retornando à casa do tio em São Luís. Posso dizer que foi a pior burrada do cara. 
Seu tio tem uma linda filha, Ana Rosa. Naquela época em que li o livro, eu amava todas as mocinhas. Não existia uma pela qual não me simpatizava.
Ana Rosa foi a primeira mocinha que despertou minha raiva. Não gostei da personagem desde o primeiro instante que li sobre ela. Com todo respeito, a garota não passa de uma mimada sem coração.
Ficaria horas metendo o pau nessa garota, mas vamos voltar ao enredo. 
Assanhada, logo se interessa pelo primo. Gente, vocês acreditam que ela chega a ficar doente por falta de namorar? Sério!! 
A chegada de Raimundo parece perturbar algumas pessoas. Muitas se incomodavam pelo simples fato dele ser mulato, inclusive a avó de Ana Rosa.
Outras pessoas pareciam esconder alguma coisa sobre a vida do cara. Raimundo resolve querer saber mais sobre suas origens, e é ai que sabemos segredos cabeludos envolvendo seus pais e seu nascimento.
Sei que a internet está cheia de resumos que trazem todos os detalhes do livro, com spoilers e tudo mais, porém o que dá gosto na leitura é descobrirmos o enredo. Não vou revelar quais segredos são esses. Posso dizer que são trágicos e tristes. Se de início já gostava do personagem, após descobrir todas as tragédias que seu nascimento trouxe, tive piedade e torcia para que ele encontrasse a felicidade. Descobrimos assim o motivo de algumas pessoas o odiarem. 
Ele acaba se apaixonando por Ana Rosa, porém seu tio não permite que os dois se casem. Diz que a moça já é prometida para outra pessoa.
Raimundo é bem instruído, porém é tão bondoso, sem nenhuma malícia, que não percebe o preconceito que existe a sua volta. Quando finalmente cai na real, decide fugir com Ana Rosa.
As coisas não são simples como eu coloco na resenha. Não estamos falando dos dias atuais, com tecnologias avançadas. Tão pouco dos anos 90. Esse livro foi escrito em 1881!!
A comunicação era por carta, e desvios de correspondências eram comuns por demais.
Na fuga do casal, eles são surpreendidos.
O que poderá acontecer? Qual o destino de Raimundo?
Foi a primeira leitura com personagens humanamente malvados da minha vida. Foi neste livro, escrito em 1881, que vi o quanto a impunidade faz parte da nossa história. Hoje vejo que não mudou muita coisa.
Acho que os leitores do blog não buscam análise histórica ou literária, trago apenas minha visão do enredo. Fiquei tão revoltada com a realidade ali exposta, que tive ódio desse livro por muito tempo. Não me conformei com o rumo das coisas.
É mais que uma história qualquer, é uma crítica.
Todos precisam ler ♥

Ano: 2000 (da edição)
Páginas: 72
Editora: Rideel
Nota: 5/5

Sobre o Autor: 
Foto -Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (São Luís, 14 de abril de 1857 — Buenos Aires, 21 de janeiro de 1913) foi um novelista, contista, cronista, diplomata, caricaturista e jornalista brasileiro; além de bom desenhista e discreto pintor.
Filho do vice-cônsul português David Gonçalves de Azevedo,ainda jovem, enviuvara-se em boda anterior, e de D. Emília Amália Pinto de Magalhães, que se separara de um rico comerciante português, assiste Aluísio, em garoto, ao desabono da sociedade maranhense à união paternal contraída sem segundas núpcias, algo que se configura grande escândalo à época. Foi Aluísio, irmão mais novo do dramaturgo e jornalista Artur Azevedo, com o qual ,em parceria, viria a esboçar peças teatrais.



Love, kisses & rockets



Crédito das Imagens:
Skoob


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são sempre bem vindos e ajudam no feedback do blog ♥
Comentário com conteúdo de baixo calão ou preconceituoso, serão excluídos.